Manual do Linux

agosto 15, 2007

Artigo: Repositórios Debian vs Repositórios Ubuntu

Filed under: Artigo — PabloVieira @ 9:53 pm

Atenção: Este texto também está disponível em http://www.guiadohardware.net/artigos/repositorios-debian-ubuntu/

Introdução

Antigamente não havia muita escolha. Os desenvolvedores baseavam suas distribuições em Debian e utilizavam os repositórios oficiais. Havia a adição de alguns repositórios não-oficiais(como o debian-multimedia) e repositórios próprios para certos programas, mas todos sempre compatíveis com o Debian. Uma ou outra distiribuição utilizava pacotes próprios, como o Kanotix(conhecido pelos patches do kernel desenvolvidos pelo Kano), mas no geral isso era uma exceção, e nem todos os pacotes eram realmente próprios.

Mesmo o Ubuntu, em versões anteriores à 6.06, utilizava uma base de pacotes muito semelhante à do Debian. É possível provar isso acompanhando tutoriais da época, que de vez em quando recomendavam a adição de repositórios do Debian Sid(eterno Unstable, base do Ubuntu) no sources.list para a instalação de um pacote ou outro ainda incontido nos repositórios Ubuntu.

A partir do Ubuntu 6.06 LTS essa situação mudou de figura. O Ubuntu começava a ficar realmente bom, e seus repositórios cresceram e se tornaram já incompatíveis com os do Debian. Os pacotes começaram a ser atualizados com uma frequência um pouco superior aos do Debian Testing(Etch na época) e alguns programas úteis para Desktop estavam disponíveis, como joguinhos e coisas do tipo.

A migração para repositórios do Ubuntu

Usar os repositórios do Ubuntu 6.06 LTS parecia o sonho de qualquer desenvolvedor de distribuições Desktop baseadas em Debian. Colocá-lo em prática seria trabalhoso, mas muitos se lançaram ao desafio.

Foram algumas semanas de trabalho intenso, apenas reconstruindo todo o sistema, desde sua base. Enfim, estava pronto. E parecia ter valido à pena.

Usuários ativos e experientes aprovavam a migração em seus recados aos desenvolvedores, e tudo parecia ir bem. Até que cerca de sete meses e meio depois…

A distribuição entrava em crise. O desenvolvimento da versão nova estava no começo, e os pacotes da versão 6.06 já não recebiam atualizações como antigamente. Tal versão do Ubuntu já não recebia suporte crescente, pois era uma versão de suporte longo, que apenas receberia grandes atualizações de segurança. A única solução seria acelerar o desenvolvimento da nova versão e baseá-la na versão mais recente do Ubuntu.

Enquanto isso, nos repositórios Debian…

Mesmo com a febre “vamos utilizar repositórios Ubuntu!”, muitas distribuições mantiveram-se fiéis à base Debian. Alguns programas legais acabaram faltando, mas era o preço a se pagar por manter a tradição. Até porque alguns pacotes poderiam ser conseguidos através de scripts que baixassem o pacote do site oficial.

A principal diferença do Debian para o Ubuntu é que o Debian dá muito mais tempo de suporte em suas versões. A versão passa do Testing em mais ou menos um ano e meio para o Stable, depois para o Oldstable em mais ou menos o mesmo período, e continua recebendo atualizações; Obivamente que as atualizações do Oldstable são realmente raras, mas os desenvolvedores de distribuições baseadas em Debian continuam tendo bom suporte e atualizações por bastante tempo.

Muitos questionam sobre as atualizações de pacotes quando a distribuição passa a ser Stable. É bem verdade que uma versão Stable ultrapassada como o Sarge trazia problemas aos desenvolvedores Desktop. O Sarge já completava seus dois anos e meio, e os pacotes começaram a ficar muito desatualizados quando ele completou cerca de um ano e meio de vida. Isso é verdade; ocorre quando se utiliza uma versão Stable que já tem mais de um ano e meio de vida.

Conclusão

O Ubuntu apresenta a vantagem de ter os pacotes bastante atualizados em seu tempo de vida útil; e conter muitos pacotes úteis ao Desktop que não estão presentes no Debian.

Após algum tempo do lançamento de uma nova versão do Ubuntu, a versão anterior passa a receber cada vez menos atualizações, e isso começa a incomodar os desenvolvedores de filhos do Ubuntu. A única solução para esse problema é sincronizar o tempo de lançamento de versões novas da distribuição com as do Ubuntu, levando em conta uma margem de dois meses (para mais).

Os repositórios Debian apresentam a vantagem de terem um tempo de vida útil muito maior que os do Ubuntu, e de possuirem repositórios para todos os gostos(Stable, Testing, Unstable).

A desvantagem dos repositórios Debian é que o meio mais seguro (Stable) começa a ficar desatualizado após certo tempo de release. A solução para isso pode ser manter os pacotes desatualizados(mas tendo a certeza de que funcionam) ou desenvolver/migrar a distribuição para os repositórios Testing, que têm um custo/benefício de atualização vs instabilidade ideal a usuários domésticos.

E você, caro desenvolvedor: qual a sua escolha?

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4 Comentários »

  1. Ingressei no mundo linux totalmente leigo, com o Kurumin 5, depois reinstalei já usando o 6.0, e de lá prá ca nunca mais fiz uma reinstalação do 0. Sempre por dist-upgrade, mesmo quando isso me fez passar madrugadas inteiras quebrando a cabeça prá reconstruir o sistema. E assim hoje estou em sync diário com o Lenny…

    No fim, o testing do Debian está a maior parte do tempo à frente do Ubuntu em termos de atualização. E raramente dá algum problema mais sério, como foi aquele quando da mudança de versão do xorg 6.9 para 7…

    Mas a estabilidade e variedade de pacotes prontos no Ubuntu ainda fazem dele a minha escolha na ora de instalar nas máquinas dos amigos mais conservadores que querem tentar o Linux (se bem que, quando a máquina é boa mesmo, vai bem um OpenSUSE, apesar dos meus receios com a postura da Novell…). Mesmo assim, ainda vejo aqui vantagem do Debian Testing: dependendo do pacote, dá até prá instalar a versão Ubuntu mesmo (ou Kanotix, ou Sidux, ou…).

    Neste aspecto, reforço minha admiração pelo Kurumin: por tudo que já vem instalado, na minha opinião, compensa começar o Debian pelo Kurumin, que já vem com um monte de pacotes realmente úteis e práticos instalados…

    Parabéns pelo artigo!

    Comentário por Jeferson — agosto 15, 2007 @ 11:54 pm

  2. Parece que temos o mesmo ponto de vista. Eu também amo o Kurumin 😉

    O Ubuntu é um ótima distro. Meu artigo não pretende em momento nenhum miná-la, apenas mostrar a realidade de como é desenvolver uma distro baseada em Ubuntu. Agradeço a você por reforçar este ponto no teu comentário.

    O Kurumin também é um exexmplo do que citei no primeiro parágrafo: Utiiliza repositórios nãp-oficiais para seus pacotes multimídia e também mantém ativado o repositório do mplayer para Debian.

    Obrigado pela atenção, volte sempre!

    Abraços

    Comentário por stjimmy2k — agosto 16, 2007 @ 1:03 pm

  3. Realmente, talvez o uso do Debian Testing seja a mais acertada.

    Sincronizar o tempo de lançamento da distro com o Ubuntu me parece trabalhoso demais e cria uma certa dependência incômoda.

    Parabéns pelo artigo Pablo!

    Comentário por Dr. Hank — agosto 19, 2007 @ 1:33 pm

  4. kurumin é excelente para quem tá começando…

    Comentário por Felipe Costa — agosto 30, 2007 @ 12:42 pm


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